quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Suplício de Rato

  1. Todo entocado escondendo-se da ratoeira armada pelo patrão na semana passada: O olhar amigável, bigodinho que era um nada debaixo daquele nariz abatatado; tão grande e redondo o nariz que não precisava aproximar tanto para enxergar a olho nu os poros da pele, todos preenchidos pela poeira poluente da cidade grande; região onde futuramente governarão os cravos; as sobrancelhas arqueavam com uma expressão de dar dó e ao mesmo tempo de se mostrar superior, por traz do terno; o gordo, representado nas feições ante-postas apertava com sua mão os finos dedos de seu empregado magricelo do sorriso amarelado, na falta de um dente Joca falava: "Mais senhô do cé... E carque no trabá da porca..." Riam dois, cada qual com seu motivo oculto. O motivo de Joca era agradar, não sabia nem falar, quanto escrever. No curto período que frequêntou a escola ninguém o ensinara a pensar. De modo que: Ninguém sabe como, mais o Dr. Santão deixou claro sua intenção nas entrelinhas, claro o suficiente para o proletariado entender; e foi assim, que Joca começou a usar seu esqueleto fino e longo para desviar dos tiros de olhar e voz.
  2. Chegava em lugar de descançar, a toca nao era suficiente. Implicava com tudo o que parecia uma fresta para patada. Nas últimas semanas tratou-se de sumir da vista de todos. E não foi demitido por ninguém, se não por justa causa. Ficou sabendo pelo folheto da empresa, que dizia: "Dispensados do mês" E estava escrito segundo um homem na rua, seu nome, numero de identidade, idade, telefone e uma descrição bem da mais ou menos. Como rato em cima de ratoeira enferrujada ele andou, mas acabou pisando muito forte na trava.

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