...Colocou as crianças em fila, como quem colocava condenados. De costas para a parede. Os olhos de predador tentavam distinguir, dentre aqueles, o verdadeiro culpado. Eram oito crianças, cada uma com seus talvez dez anos. Talvez menos. Todos usavam o mesmo uniforme cinza. Todos meninos com o cabelo cortado em forma de tigela. Todos tinham as mãos sujas e nervosas. Todos carregavam sobrenomes poloneses. Todos órfãos.
..."Senhor Slakoviski..." Os pequenos cerraram os olhos. "...Um passo a frente". Todos eles sabiam, que dentre os oito. Este era o que menos tinha chance de ter feito qualquer coisa errada. A dona do orfanato também sabia. Mesmo assim encarou as sardas do menino como uma confissão. A pequenina cabecinha se ergueu. Ele havia entendido. Sua mãozinha estendeu-se. O ar vibrou violento e rompeu em um estalo, dramatizado pela queda do garoto ao chão. Lentamente ele se levantou. Não se entregaria. A vara ergueu se no ar mais uma vez. E mais outra. E mais outra. O quinto vergão, no mesmo lugar, deu lugar a nascente de um fino rio de sangue. Era o suplício do corpo, suicidando-se, mandando pelos poros seu nutriente. Mais uma vez os pequeninos fecharam os olhos.
...Haviam passado alguns dias, Slakoviski repousava na janela, com a mão enfaixada. Na gase, restavam ainda sinais da atrocidade, quando um dos garotos se aproximou. Era o mais velho da turma, estava encostado na parede e junto com os outros amigos, assistiu o corajoso garoto, ter um dedo quebrado.
..."Slakoviski..." Chamou o menino parado à porta. O órfão virou-se e viu Krushenski o olhando. Eles caminharam um em direção ao outro e se abraçaram como irmãos. "Obrigado amigo!"
Nenhum comentário:
Postar um comentário