- E quem disse que há outro jeito de pensar? Me encarou, ao fundo dos olhos negros havia uma fúria desmedida, eu não fazia em minha mente nenhum molde de dimensão para aquele tipo de prensa; minha pouca experiência estava perdida no meio de um mar de sensações estranhas. Olhei para o gramado, irregular, derrapagens, os trechos descolados, as raízes saltando leves mexiam com uma brisa sutil... O barro na sola do meu tênis encardia minha meia, o suor descia até a ponta do meu nariz, trazia o desconforto para cada dobra do meu corpo, a musculatura suplicava... exaustão; ao mesmo tempo, as palavras daquele lazarento ecoando em minha cabeça e aumentando chama do gás que elevava meu espírito. Voltei para o campo, reuni os rapazes e com eles, bolamos uma ultima estratégia de jogo, a qual levaríamos para o show dos últimos tempos.
- A bola oval pesou no gramado, na contagem específica ela pesou em minhas mãos, e foi passada, de um a um, mas nenhum discurso que conseguisse fervilhar em sua alma por toda a eternidade seria capaz de inverter o placar daquela noite.
- O fim de semana passou, mas eu não passei por ele. Em casa, deitado a todas as horas mentalizando os erros, um a um; eles iam pregando, se afundando cada vez mais fundo em minhas chagas recentes. A dor desmedida ia flagelando lentamente, espalhando a dor como veneno de serpente injetado diretamente em sua cabeça. Você sente o calor mortal se diluir em sua carne, falhar seus sentidos, tenta se debater, se manter de pé, mas está babando, tendo convulsões enquanto a fera está por te quebrar e engolir. Seus olhos são lentamente trazidos para de baixo do couro frio, o desespero chega em seu nível maior e você chora em presença da morte; como se naquele momento adiantasse, naquele momento, você já morreu. É só esperar o espírito encontrar o caminho.
- Em cobertas esconde a vergonha, você não fez o máximo, você não foi o máximo. você falhou com a pessoa mais importante. Não falhou com seu amigo, nem com seu treinador, não com sua namorada, ou com toda a torcida que dependia de você. Você falhou com sua honra. Não merece olhar para a cara de tristeza de ninguém, observando de canto, o seu andar pelo corredor. Não merece o toque no ombro, nem ouvir: Você deu o seu melhor. Porque nunca é verdade.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
O Peso da Derrota
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